“No ensino fundamental, tinha um garoto no meu ônibus que sempre corria o mais rápido possível para casa, tropeçando.Nós ríamos dele todos os dias. Nós não sabíamos que ele corria porque ele queria ter certeza de que sua irmã não tinha se suicidado enquanto ele estava na escola.Um dia, ele faltou na escola. Uma semana depois, ele voltou. Ele tinha parado de correr.”
“Acho que tenho uma queda pelo sorriso dele.”
“E dói, porque você sabe que não vai ter quem substitua. E você sente falta. E a vontade de chorar vem. E você só pode respirar fundo e segurar as lágrimas, para não perceberem o quanto você é fraca.”
“Nós – uma palavra que ela inventou sem pedir autorização a ninguém, apenas incluiu no dicionário, que ficou mais pesado de carregar.”
“Não é bacana ser orgulhoso. Não é bacana morrer de vontade de falar, ver ou sentir alguém e não colocar isso para fora. Se mostrar forte, mas ter o mesmo pensamento quando acorda e quando dorme. Dizer para todo mundo que esqueceu quando nem você mesmo se convenceu. Lembrar com a cabeça no travesseiro ou o olhar congelado na estrada. Ouvir a música e conseguir sentir o cheiro. Ir ao restaurante e lembrar da mesa de sempre. Ver a foto e sentir aperto. Ligue, chame, mande uma mensagem, apareça sem avisar. Não há deslize ou vacilo que impeça você de tentar. Se a sua sinceridade não for bem recebida, acontece. Toda decepção vale o alívio. Não é bacana engolir a saudade. Sério, orgulho dá gastrite.”